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Talvez já tenha reparado numa pequena formação rosada, em forma de triângulo, que parece crescer sobre a parte branca do olho. Trata-se de um pterígio, um crescimento de tecido fibroso na conjuntiva que, com o tempo, pode avançar em direção à córnea. Não é um tumor nem uma lesão cancerígena, mas, se não for acompanhado, pode interferir com a superfície ocular e, em casos mais avançados, afetar a visão.
Na maioria dos casos, é uma resposta do olho a anos de exposição à radiação ultravioleta (UV), ao vento, ao pó e ao ar seco. Por isso, é particularmente frequente em pescadores, agricultores, surfistas, marinheiros e em todas as pessoas que passam muitas horas ao ar livre sem proteção adequada para os olhos. Parece-lhe familiar?
Os sintomas podem variar bastante. Algumas pessoas apresentam vermelhidão, sensação de areia nos olhos, ardor, comichão, secura ocular ou visão ligeiramente desfocada. Outras não sentem qualquer desconforto. No entanto, a ausência de sintomas não significa que o problema não exista.
O pterígio pode desenvolver-se lentamente e provocar astigmatismo, alterar a curvatura da córnea ou, nos casos mais graves, crescer até à zona da pupila, comprometendo a visão. Uma avaliação visual regular é a forma mais simples de verificar se o pterígio se mantém estável ou se está a evoluir.
O tratamento depende da gravidade da situação. Nos casos mais ligeiros, é habitual recorrer a lágrimas artificiais, medicação anti-inflamatória e à utilização de óculos de sol com proteção UV de qualidade. Quando o crescimento continua a progredir ou começa a afetar a visão, poderá ser necessária uma cirurgia para remover o tecido, frequentemente complementada por um enxerto de conjuntiva para reduzir o risco de recorrência.
Num clima como o do Algarve, a prevenção faz toda a diferença. Utilize sempre óculos de sol com proteção UV certificada, use chapéu quando permanecer muitas horas ao sol e mantenha os olhos bem hidratados, sobretudo em ambientes secos ou com vento.
O pterígio é uma condição relativamente comum na nossa região e, quando identificado precocemente, raramente representa um problema grave. Se notar alguma alteração no aspeto dos seus olhos ou sentir sintomas persistentes, não adie uma avaliação. Um diagnóstico atempado pode fazer toda a diferença para preservar a sua saúde visual.
Artigo por Dr. João Albano
Optometrista e Diretor Clínico da Algarvisão
Referências:
- American Academy of Ophthalmology (AAO). Pterygium (Surfer’s Eye). American Academy of Ophthalmology.
- College of Optometrists. Clinical Management Guidelines: Pterygium. London: The College of Optometrists.
- Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO). ABC da Visão – Pterígio.




